sábado, 7 de janeiro de 2017

MASH


MASH (1970)

Robert Bernard Altman (20/2/1925, Kansas City, EUA; 20/11/2006, Los Angeles, EUA) foi um dos maiores cineastas norte-americanos de fins do século XX, e um cineasta muito característico.  Conheceu altos e baixos nos favores do público, teve êxitos e insucessos, ganhou Óscares e passou ao lado de outros, dispersou a sua obra por diversos géneros, do drama à comédia, do policial ao musical, mas manteve-se sempre fiel a uma temática e a um estilo muito particular, e muito pessoal. As suas obras evoluíam ao sabor de um puzzle que continuamente se constrói e por vezes se destrói, com dezenas de personagens em histórias aparentemente paralelas que quase sempre convergem no final para um mesmo desfecho. Três dos últimos títulos de Robert Altman, “O Jogador”, nomeado para alguns Oscars de 1992, “Short Cuts - Os Americanos”, retirado de curtas e amargas histórias de Raymond Carver, que triunfou no Festival de Veneza de 1993, que voltaria a nomear Altamn para o melhor realizador de 1993, e “Gosford Park” (2001), várias nomeações e prémios no oscars e nos Globos de Ouro, chamaram, por exemplo, de novo a atenção para a obra deste cineasta, um dos mais interessantes do moderno cinema norte-americano, mas nem por isso dos mais populares junto do grande público, com uma ou outra excepção.
Falando do campo da comédia, Altman, desde MASH, até “A Praire Home Companion - Bastidores da Rádio” (2006) deu-nos alguns títulos indispensáveis, como “Um Casamento” (1978), “O Casal Perfeito” (1979), “Popeye” (1980), entre outros, mas não se pode dizer que seja um autor de comédias, apesar de serem exemplos bastante típicos da carreira de um realizador cuja filmografia se diversifica em direcções contrárias sendo, todavia, possível falar sempre de um estilo próprio e de preocupações particulares. Aliás, qualquer destes filmes, demonstram aspectos essenciais da obra de Altman, atento à realidade circundante, que crítica de forma vigorosa e contundente, mas também irónica e subtil, aprofundando a análise psicológica e as implicações psicanalíticas, quer em termos pessoais, em função das diversas personagens em confronto, quer em termos de um inconsciente colectivo norte-americano, falando dos EUA em termos globais. Digamos que há em Altman um pendor para  a parábola, exprimindo-se esta, no entanto, por formas muito diversas: ou numa via marcadamente realista (vejam-se os casos de “MASH”, “Um Casamento” ou “O  Casal Perfeito”, mas também outros títulos igualmente notáveis, como “Nashville” ou “O Jogador”, que se podem igualmente integrar nesta vertente), ou através de uma simbologia cerrada e críptica, que se esboça em “Três Mulheres” e se prolonga em outras obras como “Aquele Dia Frio no Parque”, “A Sombra do Duplo Amante” e “Quinteto”. 


“MASH” integra-se, pois, nessa vertente metafórica, mas de fundo vincadamente realista, por vezes mesmo hiper-realista, que tem sido o caminho mais fecundo e também o mais original da filmografia deste realizador. Este filme, estreado nos EUA em 1970, iria tornar Altman um cineasta reconhecido internacionalmente, dado o enorme sucesso de público e de crítica que conheceu. Junto da censura portuguesa, porém, a sua sorte seria nula, pois foi proibido integralmente, sendo estreado somente depois de 1974, quatro anos depois do seu lançamento internacional.
Divertida e corrosiva comédia de um humor por vezes retintamente negro, MASH alcançaria o Grande Prémio do Festival de Cannes e várias nomeações para os "Oscars", entre as quais o de Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Actriz, ganhando o Oscar de Melhor Argumento, atribuído a Ring Larner, Jr, que adaptou ao cinema um romance de Richard Hooker, um médico que cumpriu o seu serviço militar na Coreia, durante a guerra.
O cenário desta comédia é um campo de socorros a feridos (“Mobil Army Surgical Hospital”, donde M.A.S.H.), uma espécie de hospital de campanha, localizado vagamente na Indonésia, durante a guerra da Coreia, mas com os olhos postos obviamente na guerra do Vietname. Aí se encontram as enfermeiras e os médicos americanos que, recrutados pelo exército, cumprem o seu tempo de serviço militar obrigatório. O filme procura demonstrar pelo absurdo o absurdo da guerra. Com fina ironia, por vezes com alguma subtileza, outras entrando abertamente pela caricatura mais contrastada, Altman ataca um pouco por todo o lado, desde a hierarquia militar à incompetência médica, do puritanismo ao espírito vincadamente competitivo do americano médio (veja-se essa admirável sequência do jogo de "rugby"). O próprio machismo é parodiado numa outra sequência notável, a última ceia de um hipotético condenado à impotência, que aceita suicidar-se por não suportar essa ideia. Muito divertida é ainda uma outra situação chave deste filme, uma cena de sexo que, mercê de um traiçoeiro truque, é difundida e ouvida em estereofonia em todo o acampamento.


Altman revela-se um cineasta já de uma excelente fluência na condução do humor e na criação de um ritmo de comédia, jamais gratuita ou inconsequente, sempre inteligente e incisiva para com os poderes constituídos. É conveniente recordar que, em 1970, a América se encontrava num momento de grande contestação à intervenção americana no Vietname, e filmes como “MASH” muito ajudaram a criar esse clima de revolta da consciência colectiva.  Excelentes actores - Donald Sutherland, Elliot Goult, Tom Skerritt, Sally Kelllerman, Robert Duvall, entre outros - ajudam a fazer de “MASH” uma comédia imprescindível, um dos grandes títulos da década de 70.



MASH
Título original: MASH

Realização: Robert Altman (EUA, 1970); Argumento: Ring Lardner, Jr., segundo romance de Richard Hooker; Produção: Ingo Preminger, Leon Ericksen; Fotografia (cor):  Harold E. Stine; Música: Johnny Mandel; Montagem: Danford B. Greene; Direcção artística: Jack Martin Smith e Art Cruickshank; Decoração: Stuart A. Reiss, Walter M. Scott; Maquilhagem: Les Berns, Edith Lindon, Daniel C. Striepeke, Gerry Leetch; Direcção de Produção: Norman A. Cook; Assistentes de realização: Ray Taylor Jr.; Departamento de arte: Sidney H. Greenwood, Robert Lombardi; Som: Bernard Freericks, John D. Stack; Efeitos especiais: Greg C. Jensen; Efeitos visuais: L.B. Abbott, Art Cruickshank; Companhias de produção: Aspen Productions, Ingo Preminger Productions, Twentieth Century Fox Film Corporation; Intérpretes: Donald Sutherland (Hawkeye Pierce), Elliott Gould (Trapper John McIntyre), Tom Skerritt (Duke Forrest), Sally Kellerman ('Hot Lips' O'Houlihan), Robert Duvall (Maj. Frank Burns), Roger Bowen (Cor. Henry Blake), Rene Auberjonois (padre John Mulcahy), David Arkin (Sgt. Major Vollmer), Jo Ann Pflug (Ten. 'Dish'), Gary Burghoff (soldado Radar' O'Reilly), Fred Williamson (Dr. Oliver 'Spearchucker' Jones), Michael Murphy ('Me Lai' Marston), Indus Arthur, Ken Prymus, Bobby Troup, Kim Atwood, Timothy Brown, John Schuck, Dawne Damon, Carl Gottlieb, Tamara Wilcox-Smith, G. Wood, Bud Cort, Danny Goldman, Corey Fischer, Stephen Altman, William Ballard, Buck Buchanan, etc. Duração: 116 minutos; Distribuição em Portugal: Fox; Classificação etária: M/ 12 anos; Data de estreia em Portugal: 17 de Setembro de 1974.

DR. ESTRANHOAMOR


DOUTOR ESTRANHOAMOR (1964)
 
Sob a fórmula de sátira que leva ao absurdo as consequências últimas da Guerra Fria, “Doutor EstranhoAmor” alerta-nos para os perigos de um desastre nuclear, pondo a descoberto os índices de falibilidade das medidas de segurança utilizadas, perante o gigantismo dos interesses económicos e da tecnologia bélica. Kubrick afirmou-o, aquando da estreia: “Trata-se de um filme que mostra um general louco que lança bombardeiros atómicos sobre um país adversário. A partir daí o mundo começa a levar as coisas a sério, só que é um pouco tarde.”
“Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb”, com argumento de Stanley Kubrick, Terry Southern, Peter George, segundo romance de Peter George (“Red Alert”, ou “Two Hours to Doom”) vê a sua acção polarizada em três cenários diferentes, mas convergentes nas suas acções que se interpenetram, numa montagem em paralelo: uma base militar norte-americana, isolada, onde se encontra um general enlouquecido; a sala redonda do Pentágono, onde o presidente dos Estados Unidos e os seus conselheiros políticos e militares tentam remediar a sabotagem; o interior de um bombardeiro que depois de ter recebido ordens para dar cumprimento ao plano de “ataque R”, se precipita para o interior da União Soviética, com a finalidade de destruir objectivos militares. Da conjugação das situações nestes três locais nasce o suspense desta obra de humor corrosivo, brilhantemente interpretada por Sterling Hayden (o brigadeiro Jack D. Ripper, um perigoso belicista louco), Peter Sellers (compondo três personagens: capitão Lionel Mandrake, adjunto de Jack D. Ripper, Merkin Muffley, presidente dos EUA e Dr.Stangelove, um técnico alemão, meio robot, com um teimoso braço direito que não se cansa de se projectar para a frente, numa clara saudação nazi), George C. Scott (general 'Buck' Turgidson), Keenan Wynn (coronel 'Bat' Guano) ou Slim Pickens (major T.J. 'King' Kong).


Este filme integra-se numa corrente de ficção política que na década de 60 teve várias obras de idênticas intenções, nomeadamente “Sete Dias em Maio”, de John Frankenheim, e “Missão Suicida”, de James B. Harris, até então produtor de Stanley Kubrick, e que com essa realização se emancipava como director, iniciando uma nova carreira. Mas este filme de Kubrick é claramente superior às outras obras (muito embora a evidente qualidade de ambas), e isso deve-se à magnífica realização deste cineasta, e sobretudo ao tom de humor escolhido. Kubrick não perde uma oportunidade para sublinhar um efeito de sátira: o piloto do bombardeiro norte-americano lança-se sobre terra russa, cavalgando uma bomba nuclear, tal como um vulgar cowboy de tempos heroicos; toda a carga simbólica de personagens como o brigadeiro louco (e a sua teoria da ameaça bolchevista: a degenerescência dos fluídos corpóreos!); o próprio Dr. Stangelove; a crítica ostensiva ao militarismo de um inconsciente general Buck Turgidson, que, depois de desencadeada a crise, já com os bombardeiros a caminho da URSS, justifica o aproveitamento desta decisão, com a explicação de que uma tal ocorrência apanharia os soviéticos desprevenidos e permitiria acabar com o seu poderio, “com um mínimo de perdas humanas, qualquer coisa como apenas 120 milhões de soviéticos e 20 milhões de americanos”; ou ainda o fabuloso bailado final, quando sucessivas explosões nucleares se fundem num apocalíptico cogumelo de destruição, tendo como banda sonora uma romântica valsa (sequência que está certamente na origem de certas ideias de sonoplastia desenvolvidas depois em 2001).
Um filme brilhante, de um homem desencantado e corrosivo quanto ao futuro do Homem. Um futuro que Kubrick irá antever sob uma perspectiva inteiramente nova, no filme seguinte, a sua primeira incursão no campo da ficção científica, “2001: Odisseia no Espaço”.


DR. ESTRANHOAMOR
Título original: Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb

Realização: Stanley Kubrick (Inglaterra, 1964); Argumento: Stanley Kubrick, Terry Southern, Peter George, segundo romance de Peter George (“Red Alert”, ou “Two Hours to Doom”); Música: Laurie Johnson; Fotografia (p/b):  Gilbert Taylor; Montagem: Anthony Harvey; Design de produção: Ken Adam; Direcção artística: Peter Murton; Maquilhagem: Stuart Freeborn, Barbara Ritchie; Direcção de produção: Clifton Brandon; Assistentes de realização: Eric Rattray; Som: John Aldred, Richard Bird, John Cox, Leslie Hodgson; Efeitos Especiais: Wally Veevers, Alan Bryce, Arthur 'Weegee' Fellig, Brian Gamby, Garth Inns, Mike Shaw; Efeitos visuais: Vic Margutti; Produção: Stanley Kubrick, Victor Lyndon, Leon Minoff.; Intérpretes: Peter Sellers (Capitão Lionel Mandrake/Presidente Merkin Muffley/Dr. Strangelove), George C. Scott (General 'Buck' Turgidson), Sterling Hayden (Brigadeiro Jack D. Ripper), Keenan Wynn (Coronel 'Bat' Guano), Slim Pickens (Major T.J. 'King' Kong), Peter Bull (Embaixador soviético Alexi de Sadesky), James Earl Jones (Tenente Lothar Zogg), Tracy Reed (Miss Scott), Jack Creley (Mr. Staines), Frank Berry (Tenente  H.R. Dietrich), Robert O'Neil (Almirante Randolph), Glenn Beck (Tenente  W.D. Kivel), Roy Stephens (Frank), Shane Rimmer (Capitão G.A. 'Ace' Owens), Paul Tamarin (Tenente  B. Goldberg), Gordon Tanner (General Faceman), John McCarthy, Hal Galili, Laurence Herder, etc. Duração: 93 minutos; Distribuição em Portugal: Columbia Filmes; Classificação etária: M/ 12 anos; Estreia em Portugal: 25 de Julho de 1974. 


sexta-feira, 11 de novembro de 2016

O MUNDO MALUCO


O MUNDO MALUCO (1963)

A comédia pode ter muitas razões de ser, mas normalmente o seu fito é uma crítica, mais ou menos violenta, a vícios e defeitos da Humanidade. “O Mundo Maluco”, que Stanley Kramer produziu e realizou em 1963, pode bem considerar-se um paradigma desse tipo de comédia que procura fustigar as imperfeições (sejamos generosos nos termos) da condição humana. Tudo se passa, de princípio a fim do filme, numa corrida de loucos. As primeiras imagens mostram uma estrada a ser percorrida a alta velocidade por um carro que é perseguido pela polícia. O automóvel sai da estrada, precipita-se por uma ravina abaixo, o seu tripulante é cuspido, alguns outros carros que seguem na estrada e presenciam o acidente param, os passageiros tentam ajudar o acidentado, este antes de morrer informa os presentes que debaixo de um grande W, num Parque Rosita, se encontram escondidos 350.000 dólares que serão de quem os encontrar. Livres de impostos. Primeiro desconfiados, depois procurando uma estratégia comum, finalmente cada um por si, lançam-se todos à procura do tesouro. 
São cinco os carros, mas são oito os passageiros, ainda tentam acertar numa divisão equitativa, mas ninguém quer perder uma migalha do seu pedaço de sonho. Todos percebem que o tesouro não passa de um roubo ciosamente guardado pelo seu empreendedor. Mas nenhuma daquelas almas penadas está disposta a deixar passar a sorte grande a seu lado. Todos aceitam colocar para trás das costas a finalidade inicial das suas viagens (uma segunda lua-de-mel, uma ida a Las Vegas, um passeio de repouso, a mudança de uma mobília) para se centrarem neste novo alvo. Chegar ao grande W do Parque Rosita. Tarefa que se poderia fazer nas calmas se todos unissem esforços e delineassem uma acção comum, mas que a ganância de cada um leva para acções egoístas que provocam as mais desencontradas peripécias e um caos absoluto. Tanto mais que atrás de todos se encontra igualmente a polícia, dirigida pelo Capitão Culpeper (Spencer Tracy), um xerife à beira da reforma que descobre igualmente que os agentes da autoridade não são tratados com a devida justiça e não se importa nada de entrar na corrida por sua conta e risco.


Neste vale tudo para chegar aos apetecíveis 350.000 dólares, anda-se de carro, de bicicleta, de avioneta, de asa-delta, levam-se todos os cenários possíveis pela frente, tanto faz ser velho como novo, mulher ou homem, ladrão ou força da ordem, é a condição humana no seu melhor (ou melhor: no seu pior). A crítica é vigorosa, directa, imediata, não há como não a perceber.
Depois Stanley Kramer vai buscar todas as técnicas da velha comédia muda, do “slapstick”, e convoca para este filme algumas dezenas de velhas glórias da comédia norte americana, desde os tempos do mudo. Sim, não sonhou, quase no final da obra, aparece Buster Keaton a abrir a porta de uma garagem. Sim, é verdade, Spencer Tracy falha pela milionésima vez a forma como atira o chapéu para o bengaleiro e este vai cair na rua. É mesmo Jerry Lewis quem vai ao volante de um automóvel e que se precipita como um louco com o carro para cima do chapéu. Acertou!
Sim, é mesmo verdade que aparecem Spencer Tracy, Milton Berle, Sid Caesar, Buddy Hackett, Ethel Merman, Mickey Rooney, Dick Shawn, Phil Silvers, Terry-Thomas, Jonathan Winters Dorothy Provine, Joe E. Brown, Andy Devine, Selma Diamond, Peter Falk, Sterling Holloway, Edward Everett Horton, Carl Reiner, The Three Stooges, Jimmy Durante, e tantos e tantos outros ao longo de duas horas e meia de desvairadas aventuras de um mundo louco, louco, louco, louco por dinheiro.
Se existe uma comédia épica ela é “O Mundo Maluco”. Profundamente hilariante, sem dar tréguas ao espectador, serpenteia ao longo das estradas norte-americanas (mas serpentearia ao longo das estradas de qualquer outro país) como uma hidra de sete cabeças que só tem olhos para a ambição e a avidez.


O MUNDO MALUCO
Título original: It's a Mad, Mad, Mad, Mad World

Realização: Stanley Kramer (EUA, 1963); Argumento: William Rose, Tania Rose; Produção: Stanley Kramer; Música: Ernest Gold; Fotografia (cor): Ernest Laszlo; Montagem: Gene Fowler Jr. Robert C. Jones, Frederic Knudtson; Design de produção: Rudolph Sternad; Direcção artística: Gordon Gurnee; Decoração: Joseph Kish; Guarda-roupa: Bill Thomas; Maquilhagem: George Lane, Connie Nichols, Lynn F. Reynolds, Steven Clensos, Rolf Miller; Direcção de Produção: Clem Beauchamp, Adrian Woolery; Assistentes de realização: George R. Batcheller Jr., Bert Chervin, Charles Scott, Carey Loftin; Departamento de arte: Art Cole, Saul Bass (autor do genérico e do psoter), Jack Davis; Som: Walter Elliott, Roy Granville, John K. Kean, Clem Portman, Vinton Vernon, Glenn E. Anderson, Gordon Sawyer; Efeitos especiais: Danny Lee, Chuck Gaspar;  Efeitos visuais: Linwood G. Dunn, Farciot Edouart, James B. Gordon, Jim Danforth; Companhia de produção: Casey Productions; Intérpretes: Spencer Tracy (Capt. T. G. Culpepper), Milton Berle (J. Russell Finch), Sid Caesar (Melville Crump), Buddy Hackett (Benjy Benjamin), Ethel Merman (Mrs. Marcus), Mickey Rooney (Ding Bell), Dick Shawn (Sylvester Marcus), Phil Silvers (Otto Meyer), Terry-Thomas (J. Algernon Hawthorne), Jonathan Winters (Lennie Pike), Edie Adams (Monica Crump), Dorothy Provine (Emeline Marcus-Finch), Eddie 'Rochester' Anderson, Jim Backus, Ben Blue, Joe E. Brown, Alan Carney, Chick Chandler, Barrie Chase, Lloyd Corrigan, William Demarest, Andy Devine, Selma Diamond, Peter Falk, Norman Fell, Paul Ford, Stan Freberg, Louise Glenn, Leo Gorcey, Sterling Holloway, Marvin Kaplan, Edward Everett Horton, Buster Keaton, Don Knotts, Charles Lane, Mike Mazurki, Charles McGraw, Cliff Norton, Zasu Pitts, Carl Reiner, Madlyn Rhue, Roy Roberts, Arnold Stang, Nick Stewart, The Three Stooges, Sammee Tong, Jesse White, Jimmy Durante, Morey Amsterdam, Wayne Anderson, Phil Arnold, Al Bain, Jack Benny, Paul Birch, George Bruggeman, Noble 'Kid' Chisse, John Clarke, Stanley Clements, Joe DeRita, King Donovan, Minta Durfee, Roy Engel, Larry Fine, James Flavin, Sig Frohlich, Nicholas Georgiade, Rudy Germane, Bobby Gilbert, Stacy Harris, Don C. Harvey, Al Haskell, Moe Howard, John Indrisano, Allen Jenkins, Robert Karnes, Tom Kennedy, Harry Lauter, Ben Lessy, Bobo Lewis, Jerry Lewis, Bob Mazurki, Tyler McVey, Ralph Moratz, Monty O'Grady, Barbara Pepper, Elliott Reid, Eddie Rosson, George Russell, Eddie Ryder, Jean Sewell, Charles Sherlock, Eddie Smith, Cap Somers, Paul Sorensen, Ray Spiker, Max Wagner, Doodles Weaver, Lennie Weinrib, Danele Young, etc. Duração: 154 minutos; Distribuição em Portugal: MGM; Classificação etária: M/ 12 anos; Data de estreia em Portugal: 10 de Maio de 1965.


PROGRAMAÇÃO PREVISTA

Masterclass de História do Cinema 2017

GRANDES CÓMICOS, GRANDES COMÉDIAS

Na Antiguidade Clássica existiam apenas dois géneros de teatro (e não existia ainda o cinema, para desdita de gregos e romanos!): o drama e a comédia. De drama está o nosso dia-a-dia carregado. De comédia, deliberada ou não voluntária, também. Mas este ano de 2016 será um ano dedicado à grande comédia e aos grandes argumentistas, realizadores e actores da comédia cinematográfica. De todos os tempos, desde os clássicos do mudo que permanecem tão actuais, às comédias mais actuais que por vezes se revelam tão mudas (e não está selecionado para o ciclo “O Artista”!).
Poderia organizar-se a masterclass com base numa ordem cronológica. Seria uma boa forma de se perceber como evoluíram os processos do humor com o passar do tempo, no campo do cinema. Mas optou-se por um outro critério, para impedir alguma monotonia de métodos que se poderia fazer sentir e permitir agrupar as obras segundo blocos mais ou menos temáticos que consentissem captar estilos e subgéneros diferentes de uma forma mais clara. Sim, porque não existe apenas “a” comédia. Dentro dela há o burlesco, a comédia sofisticada, a sátira, a screwball comedy, a paródia, a comédia poética, a comédia social… Na verdade, voltando aos clássicos, eles já diziam “ridendo castigat mores”, o mesmo é dizer que a rir se castigam os costumes. O humor pode ser crítica fatal e implacável. Crítica de costumes, crítica social, crítica política. A grande comédia é indispensável. Dizem até que faz bem ao fígado. Logo…
Há, pois, grandes cómicos, com lugar garantido enquanto tal em qualquer história do cinema (e falamos de Charles Chaplin, Buster Keaton, os Marxs, Jerry Lewis, Jacques Tati, Totó, Peter Sellers, Woody Allen, Fernandel…) e há brilhantes actores que se notabilizaram “também” na comédia (Jack Lemmon, Vittorio Gassman, Gary Grant, Katharine Hepburn, James Stewart, Charles Laughton, Robin Williams, Alec Guiness…). Há realizadores “de comédia”, apesar de terem feito, e muito bem, outro tipo de filmes (Blake Edwards, Dino Risi, Mario Monicelli, Mel Brooks, Frank Tashling, Roberto Begnini, Milos Forman, Frank Capra, Ernest Lubitch, Leo McCarey, e tantos outros) e há realizadores de uma ou duas comédias que marcaram (Stanley Kubrick, Stanley Kramer, Robert Altman, Pedro Almodovar, por exemplo). Existem igualmente filmes que são simplesmente grandes comédias, porque tudo ajuda à festa, desde o argumento à realização, passando pelo inspirado elenco (são vários os exemplos nesta selecção). De resto, procuramos não repetir obras já analisadas em anteriores masterclasses, o que não quer dizer que não existam repetições obrigatórias (“Quanto Mais Quente, Melhor”, considerada por muitos a melhor comédia de sempre, teria de reaparecer...).
Será um pouco de tudo isso que teremos durante esta masterclass que irá ocupar o ano de 2017 e os primeiros de 2018, no Fórum Municipal Luísa Todi, em Setúbal. Um hino ao humor que é, igualmente, um hino à vida. Como alguém disse também, “rir é o melhor remédio”. “Façam o favor de ser felizes”, dizia o inesquecível Raul Solnado.
Lauro António

GRANDES CÓMICOS, GRANDES COMÉDIAS

Programação:

6. 3. 2017 - O MUNDO MALUCO (It’a Mad, Mad, Mad, Mad World), de Stanley Kramer (EUA, 1963), com Spencer Tracy, Milton Berle, Sid Caesar; 154 ‘; M/ 12. (inglês com legendas espanhol).

13. 3. 2017 - DR. ESTRANHOAMOR (Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb), de Stanley Kubrick (EUA, 1964), com Peter Sellers, George C. Scott, Sterling Hayden; 95’; M/ 12.

20. 3. 2017 - MARSH (Mash), de Robert Altman (EUA, 1970), com Donald Sutherland, Elliott Gould, Tom Skerritt; 116’; M/ 12.

27. 3. 2017 - BOM DIA, VIETNAME (Good Morning, Vietnam), de Barry Levinson (EUA, 1987), com Robin Williams, Forest Whitaker, Tung Thanh Tran; 121’; M/ 12.

03. 4. 2017 - 1941, ANO LOUCO EM HOLLYWOOD (1941), de Steven Spielberg (1979), com John Belushi, Dan Aykroyd, Treat Williams; 118’; M/ 12.

10. 4. 2017 - VÊM AÍ OS RUSSOS! VÊM AÍ OS RUSSOS! (The Russians Are Coming the Russians Are Coming!), de Norman Jewison (EUA, 1966), com Carl Reiner, Eva Marie Saint, Alan Arkin; 126’; M/ 12.

17. 4. 2017 - A GRANDE CORRIDA À VOLTA DO MUNDO (The Great Race), de Blake Edwards (EUA, 1965), com Tony Curtis, Natalie Wood, Jack Lemmon; 160’; M/ 12.

24. 4. 2017 - A PANTERA COR-DE-ROSA (The Pink Panther), de Blake Edwards (EUA, 1963), com David Niven, Peter Sellers, Robert Wagner; 115’; M/ 12.

08. 5. 2017 - A FESTA (The Party), de Blake Edwards (EUA, 1968), com Peter Sellers, Claudine Longet, Natalia Borisova; 99’; M/ 12.

15. 5. 2017 - PINTORES E RAPARIGAS (Hollywood or Bust), de Frank Tashling (EUA, 1956), com Jerry Lewis, Dean Martin, Anita Ekberg; 95’; M/ 12.

22. 5. 2017 - JERRY 8 ¾ (The Patsy), de Jerry Lewis (EUA, 1964), com Jerry Lewis, Everett Sloane, Peter Lorre; 97’; M/ 12.

29. 5. 2017 - AS NOITES LOUCAS DO DR. JERRYL (The Nutty Professor), de Jerry Lewis (EUA, 1963), com Jerry Lewis, tela Stevens, Del Moore; 103’; M/ 12.

05. 6. 2017 - AS FERIAS DO SENHOR HULOT (Les Vacances de Monsieur Hulot), de Jacques Tati (França, 1953), com Jacques Tati, Nathalie Pascaud; 84’; M/ 6.

12. 6. 2017 - O MEU TIO (Mon Oncle), de Jacques Tati (França, 1958), com Jacques Tati, Jean Pierre Zola; 111’; M/ 6.

19. 6. 2017 - O APAIXONADO (Le Soupirant), de Pierre Etaix (França, 1962), com Pierre Étaix, Laurence Lignières: 83’; M/ 12. (francês com legendas em francês)

26. 6. 2017 - A GRANDE PARÓDIA (La Grande Vadrouille), de Gérard Oury (França, 1966), com Louis de Funès, Bourvil, Terry Thomas, Marie Dubois; 132’; M/ 12.

03. 7. 2017 - BEM-VINDO AO NORTE (Bienvenue chez les Ch'tis), de Dany Boon (França, 2008), com Kad Merad, Dany Boon, Zoé Félix; 101’; M/ 12.

10. 7. 2017 - DOM CAMILO (Dom Camilo), de Julien Duvivier (França, 1952), com Fernandel, Gino Cervi, Vera Talchi; 107’; M/ 12.

17. 7. 2017 - POLÍCIAS E LADRÕES (Guardie e Ladri), de Mario Monicelli, Steno (Itália, 1951), com Aldo Fabrizi, Totò, Ave Ninchi; 105’; M/ 12.

24. 7. 2017 - GANGSTERS FALHADOS (I Soliti Ignoti), de Mario Monicelli (Itália, 1958), com Vittorio Gassman, Marcello Mastroianni, Renato Salvatori, Totó; 106’; M/ 12.

31. 7. 2017 - A GRANDE GUERRA (La Grande Guerra), de Mario Monicelli (Itália,1959), com Alberto Sordi, Vittorio Gassman, Silvana Mangano; 137’; M/ 12.

07. 8. 2017 - FEIOS, PORCOS E MAUS (Brutti, Sporchi e Cattivi), de Ettore Scola (Itália, 1976), com Nino Manfredi, Maria Luisa Santella, Francesco Anniballi; 115’; M/ 12.

14. 8. 2017 - A VIDA É BELA (La Vita è Bella), de Roberto Benigni (Itália, 1997), com Roberto Benigni, Nicoletta Braschi, Giorgio Cantarini; 116’; M/ 12.

21. 8. 2017 - O BAILE DOS BOMBEIROS (Horí, má Panenko), de Milos Forman (Checoslováquia, 1967), com Jan Vostrcil, Josef Sebánek, Josef Valnoha; 71’; M/ 12.

28. 8. 2017 - MULHERES À BEIRA DE UM ATAQUE DE NERVOS (Mujeres al Borde de un Ataque de "Nervios"), de Pedro Almodovar (Espanha, 1988), com Carmen Maura, Antonio Banderas, Julieta Serrano; 90’; M/ 12.

04. 9. 2017 - A QUIMERA DO OURO (The Gold Rush), de Charlie Chaplin (EUA, 1925), com Charles Chaplin, Mack Swain, Tom Murray; 95’; M/ 6.

11. 9. 2017 - PAMPLINAS MAQUINISTA (The General), de Buster Keaton (EUA, 1926), com Buster Keaton, Marion Mack, Glen Cavender; 67’; M/ 6.

18. 9. 2017 - OS GRANDES ALDRABÕES (Duck Soup), de Leo McCarey (EUA, 1933), com Groucho Marx, Harpo Marx, Chico Marx; 68’; M/ 6.    
 
25. 9. 2017 - O MUNDO É UM MANICÓMIO (Arsenic and Old Lace), de Frank Capra (EUA, 1944), com Cary Grant, Priscilla Lane, Raymond Massey; 118’; M/ 12.  

02. 10. 2017 - NÃO O LEVARÁS CONTIGO (You Can't Take It With You), de Frank Capra (EUA, 1938, com Jean Arthur, James Stewart, Lionel Barrymore; 126’; M/ 12.
  
09. 10. 2017 - O ESTRAVAGANTE SENHOR RUGGLES (Ruggles of Red Gap), de Leo McCarey (EUA, 1935), com Charles Laughton, Mary Boland, Charles Ruggles; 90’; M/ 12.

16. 10. 2017 - SER OU NÃO SER (To Be or Not to Be), de Ernst Lubitsch (EUA, 1942), com Carole Lombard, Jack Benny, Robert Stack; 99’; M/ 12.

23. 10. 2017 - DUAS FERAS (Bringing Up Baby), de Howard Hawks (EUA, 1938), com Katharine Hepburn, Cary Grant, Charles Ruggles; 102’; M/ 12.

30. 10. 2017 - O INIMIGO PÚBLICO (Take the Money and Run), de Woody Allen (EUA, 1960), com Woody Allen, Janet Margolin, Marcel Hillaire; 85’; M/ 12. (inglês com legendas espanhol).

06. 11. 2017 - ANNIE HALL (Annie Hall), de Woody Allen (EUA, 1977), com Woody Allen, Diane Keaton; 89’; M/ 12.

13. 11. 2017 - O AEROPLANO (Airplane!), de Jim Abrahams, David Zucker, Jerry Zucker (EUA, 1980), com Robert Hays, Julie Hagerty, Leslie Nielsen; 88’; M/ 12.

20. 11. 2017 - FRANKENSTEIN JUNIOR (Young Frankenstein), de Mel Brooks (EUA, 1974), com Gene Wilder, Madeline Kahn, Marty Feldman; 106’; M/ 12. (inglês com legendas espanhol).

27. 11. 2017 - O FALHADO AMOROSO (The Producers), de Mel Brooks (EUA, 1967), com Zero Mostel, Gene Wilder, Dick Shawn; 88’; M/ 12.

04. 12. 2017 - OS CAÇA FANTASMAS (Ghost Busters), de Ivan Reitman (EUA, 1984), com Bill Murray, Dan Aykroyd, Sigourney Weaver; 105’; M/ 12.

11. 12. 2017 - SORTILÉGIO DE AMOR (Bell Book and Candle), de Richard Quine (EUA, 1958), com James Stewart, Kim Novak, Jack Lemmon; 106’; M/ 12.

18. 12. 2017 - OS RICOS E OS POBRES (Trading Places), de John Landis (EUA, 1983), com Eddie Murphy, Dan Aykroyd, Ralph Bellamy, Don Ameche; 116’; M/12.

25. 12. 2017 – NÃO HÁ COMO A NOSSA CASA (Meet Me in St. Louis), de Vincent Minnelli (EUA, 1944), com Judy Garland, Margaret O'Brien, Mary Astor; 113 min; M/ 6 anos.

QUANTO MAIS QUENTE, MELHOR (Some Like It Hot), de Billy Wilder (EUA, 1959), com Marilyn Monroe, Tony Curtis, Jack Lemmon; 122’; M/ 12.

OS GLORIOSOS MALUCOS DAS MÁQUINAS VOADORAS (Those Magnificent Men in Their Flying Machines), de Ken Annakin (Inglaterra, 1965), com Stuart Whitman, Sarah Miles, James Fox; 138’; M/ 12.

O QUINTETO ERA DE CORDAS (The Ladykillers), de Alexander Mackendrick (Inglaterra, 1955), com Alec Guinness, Peter Sellers, Cecil Parker; 91’; M/ 12.

OITO VIDAS POR UM TÍTULO (Kind Hearts and Coronets), de Robert Hamer (Inglaterra, 1949), com Dennis Price, Alec Guinness, Valerie Hobson; 106’; M/ 12.

O SENTIDO DA VIDA (The Meaning of Life), de Terry Jones, Terry Gilliam (Inglaterra, 1983), com John Cleese, Terry Gilliam, Eric Idle; 107’; M/ 12.

UM PEIXE CHAMADO WANDA (A Fish Called Wanda), de Charles Crichton, John Cleese (este não creditado) (Inglaterra, 1988), com John Cleese, Jamie Lee Curtis, Kevin Kline; 108’; M/ 12.

TODA A NUDEZ SERÁ CASTIGADA, de Arnaldo Jabor (Brasil, 1973), com Paulo Porto, Darlene Glória, Elza Gomes; 102’; M/ 12.

O GRUPO (The Breakfast Club), de John Hughes (EUA, 1985), com Emilio Estevez, Judd Nelson, Molly Ringwald   97’; M/ 12.

A REPÚBLICA DOS CUCOS (Animal House), de John Landis EUA, 1978), com John Belushi, Karen Allen, Tom Hulce; 109’; M/ 12.

UM AMOR INEVITÁVEL (When Harry Met Sally), de Rob Reinar (EUA, 1989), com Billy Crystal, Meg Ryan, Carrie Fisher; 96’; M/ 12.

UMA FAMÍLIA À BEIRA DE UM ATAQUE DE NERVOS (Little Miss Sunshine), de Jonathan Dayton, Valerie Faris (EUA, 2006), com Steve Carell, Toni Collette, Greg Kinnear; 101’; M/ 12.

O SEM VERGONHA (Bowfinge), de Frank Oz (EUA, 1999), com Steve Martin, Eddie Murphy, Heather Graham; 97’; M/ 12.

HOMEM NA LUA (Man on the Moon), de Milos Forman (EUA, 1999), com Jim Carrey, Danny DeVito, Gerry Becker; 118’; M/ 12.

A RESSACA (The Hangove), de Todd Phillips (EUA, 2009), com Zach Galifianakis, Bradley Cooper, Justin Bartha; 100’; M/ 12.